A partir dos exemplos citados acima, concordase com Ribeiro, Soares, Soares, Severo e Moço (2005, p.4) quando afirmam que os significados atribuídos à sexualidade não estão apenas na cabeça, mas que constituem e regulam as práticas sociais através de uma variedade de meios, tais como TV, rádio, revistas, internet. A etiologia dos delitos contra a população LGBT é explicada por Leony como conseqüência da ideologia heterossexista, que situa os homossexuais como minorias desprezíveis e desprezadas, e, por supostamente viverem na clandestinidade com medo de serem descobertos, são vistos pelos semeadores da homofobia como alvo fácil de chantagens, extorsões e latrocínios (2006, p. 5). O que eles descobriram é que existem realidades distintas dentro e fora do grupo LGBTQIA+, principalmente entre pessoas brancas não LGBT e pessoas pretas LGBT, com uma diferença gritante.
No Brasil, existem diversos projetos sociais que se dedicam a promover a saúde da comunidade LGBTQIA+ de maneira abrangente e inclusiva. Um exemplo é o Projeto Dandara, desenvolvido pelo Instituto Brasileiro de Transmasculinidades (IBRAT). Esse projeto tem como objetivo oferecer acolhimento, apoio psicossocial e orientação jurídica para pessoas trans, além de promover ações de prevenção de ISTs e acesso a serviços de saúde. Sexo, Orientação sexual (sexualidade) e identidade de gênero Sexo pode ser tido como uma ilustração das diferenças biológicas entre homens e mulheres.
Esse ainda é um desafio para a população LGBT, pois, de acordo com dados de um estudo feito pelo Ministério da Saúde, 67% dos entrevistados já sofreram algum tipo de discriminação motivada pela identidade sexual ou pelo gênero, proporção que alcançou 85% no caso de travestis e transexuais. O mesmo documento aponta que 14,5% dos participantes do estudo relataram terem sofrido algum tipo de preconceito nos serviços da rede de saúde. Já pensou ser interceptado na porta de um banheiro ou de um consultório por causa de sua orientação sexual ou identificação social?
A falta de compreensão e sensibilidade por parte dos provedores de saúde pode levar à negligência ou ao tratamento inadequado, resultando em consequências negativas para a saúde sexual dos indivíduos. Uma tese de doutorado, apresentada na Faculdade de Medicina da USP, mostrou que a oferta de serviços de saúde no Brasil é desigual e piora conforme gênero e orientação sexual da população, principalmente entre aqueles com mais de 50 anos. Isso mostrou vulnerabilidades nos cuidados da saúde e no acesso aos serviços de bem-estar para o grupo que se identifica como LGBTQIA+. Ser parte dessa comunidade, hoje, significa ter o pior acesso à saúde disponível no País, inclusive dentro do Sistema Único de Saúde.
Essa faixa de idade também teve os maiores percentuais de pessoas que não souberam responder (2,1%) ou se recusaram a dar a informação (3,2%). “Temos que batalhar por pesquisas como essa, mostrar que essa realidade existe através de pesquisa séria, mostrando que desigualdades sociais são injustiças e como injustiças são barreiras desnecessárias”, fala Crenitte. Quando a pessoa sabe que não vai ser bem recebida em todas as etapas do atendimento, ela nem procura o serviço. Isso torna difícil a promoção da saúde, tanto para os idosos quanto para pessoas dentro da comunidade LGBTQIA+, como o estímulo à prática de exercícios físicos, formas de controlar a pressão alta, o estresse, o diabetes, entre outros. Cerca de 7.000 pessoas foram entrevistadas, todas com mais de 50 anos, sendo que mais ou menos 5.000 destas não se identificam como LGBTQIA+.
Para responder perguntas como essa é muito importante que os campos identidade de gênero e orientação sexual sejam preenchidos na ficha dos pacientes que dão entrada nas unidades de saúde da Prefeitura. Quatro substantivos simples que fazem muita diferença, sobretudo quando é necessário buscar qualquer tipo de atendimento de saúde. Hoje, 28 de junho, é celebrado o Dia do Orgulho LGBT, em alusão a um episódio violento de abordagem policial sofrida por um grupo em Nova York, em 1969, reconhecida como a Rebelião de Stonewall.
As autoras Aran, Murta e Lionço (2009) problematizam a necessidade do diagnóstico de transtorno de gênero para os transexuais como condição de acesso ao tratamento da rede pública. Valle (2002) expõe que a homossexualidade masculina foi relacionada com a AIDS desde a década de 80, devido à disseminação de ideias negativas sobre essa população, tendo a referida síndrome sido denominada doença gay. Quanto às doenças sexualmente transmissíveis, a Rede Feminista de Saúde (2006, p. 18) preocupa-se com duas vertentes. A primeira vertente está relacionada ao desconhecimento dessas mulheres em relação ao risco das doenças sexualmente transmissíveis ao manterem relações sexuais com outras mulheres. A segunda vertente é referente à observação de doenças como HPV, herpes genital e tricomoníase em mulheres que nunca tiveram relações heterossexuais. Nesse sentido, as autoras (2006, p. 1.511) ressaltam que doenças como o câncer de mama e de colo de útero são agravadas devido à baixa utilização dos serviços de saúde por essas mulheres.
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