O modo como passamos a gostar de certos alimentos está associado a muitos fatores e é conhecido como preferências alimentares. No mais, deixe a criança participar das refeições, permita que ela opine sobre o que gosta e estimule-a a segurar os talheres se a idade for adequada. Essas atitudes farão com que seu filho se mantenha focado no alimento, sem que as interferências externas o atrapalhem. Na feira ou no supermercado, envolver a criança na escolha das cenouras, dos tomates e do pepino, por exemplo, a fará conhecer os diferentes formatos, cores e texturas dos alimentos, ajudando-a a se interessar pelos mesmos. Em casa, ela também pode lavar os vegetais, mesclar molhos e ajudar no preparo dos alimentos.
A maioria das crianças da escola particular relatou que se sentia controlada pelos pais em relação ao consumo de guloseimas, e que o consumo dependia da disponibilidade em casa, o que não ocorria diariamente. Muitos disseram que somente tinham permissão para consumir esses alimentos nos finais de semana ou esporadicamente. Como pais, vocês têm um papel importante na formação dos hábitos alimentares das crianças. Por exemplo, ao criar um ambiente alimentar positivo e ser um bom modelo, você pode ajudar seus filhos a desenvolver hábitos saudáveis que podem ter um impacto duradouro em sua saúde. Levantamento sobre hábitos alimentares e estilos de vida, realizado anualmente pelo Ministério da Saúde, revela que o excesso de peso atinge 50,8% da população, sendo 17,5% de obesos.
As crianças, principalmente, as menores, veem nos pais o exemplo para tudo e com a comida não é diferente. “Se os responsáveis têm hábitos alimentares errados, acabam induzindo os filhos a comerem do mesmo jeito”, afirma o médico Cid Pitombo, que é especialista no tratamento da obesidade. Alguns estudos, nos quais se baseia a pesquisa de Mayra, mostram uma propensão maior de compra de alimentos não saudáveis onde há oferta desses produtos próximo a casa e escolas, em locais como fast-foods e lojas de conveniência. Essa concentração de estabelecimentos também impacta numa possibilidade menor de consumo de frutas e vegetais.
As mães ainda foram questionadas sobre a oferta e a duração do aleitamento materno, bem como a idade em que seus filhos haviam consumido uma série de alimentos pela primeira vez. E foi a partir dessas respostas que se chegou a dados alarmantes sobre os hábitos alimentares nos primeiros anos de vida. Um trabalho inédito no Estado realizado por professoras e pesquisadoras do Laboratório de Nutrição em Saúde Pública da Universidade Federal de Alagoas revelou que os bebês estão sendo submetidos a hábitos alimentares inadequados no contexto domiciliar. Áreas com maior concentração de escolas atraem maior comercialização de alimentos ultraprocessados?
A minha mãe compra sempre um monte assim de doce e ela deixa dentro do armário. Como é possível perceber, criar bons hábitos é um processo, que requer compreensão, carinho e dedicação também dos pais. Por exemplo, um bebê que se afasta da mamadeira tenta sinalizar que está cheio. Nessa situação, não os incentive ou force a terminar tudo que está no prato. Outra dica é envolver as crianças no preparo de receitas simples, como recheios de pizzas e decoração de bolos e biscoitos, sempre com a sua supervisão, afinal, a cozinha só é lugar de criança se ela estiver acompanhada de um adulto. O estudo também deu origem a quatro dissertações de mestrado em nutrição, dois artigos publicados em revistas nacionais, além de sete projetos de iniciação científica (Pibic) financiados pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
A pesquisadora aponta também uma substituição de padrões de alimentação tradicionais (que incluem alimentos in natura, minimamente processados) por padrões que incorporam cada vez mais os ultraprocessados. Veja como incentivar bons hábitos alimentares infantis a partir de abordagens diversas na hora das refeições, garantindo que a criança cresça feliz e saudável. Por anos, a indústria de alimentos e bebidas tem usado esse conhecimento a seu favor. Para isso, incentiva o desenvolvimento de preferências alimentares não saudáveis em crianças de todas as idades, por meio de várias técnicas de marketing e publicidade. Você já se perguntou por que é tão difícil fazer as crianças comerem seus vegetais? A criação de hábitos alimentares das crianças é um processo que vai muito além de apenas não gostar de comer algo.
Adiantar ou atrasar a oferta desses alimentos, esclarece Marina, aumenta os riscos de a criança vir a desenvolver alguns tipos de alergias e até mesmo anemia. “O importante é que a criança tenha acesso a alimentos variados e de todos os grupos alimentares”, destaca a nutricionista. Os grupos são divididos entre energéticos (arroz, batata, cereais, massas, pães e etc), construtores (carnes, ovos, leite, iogurte natural, queijo e etc), e reguladores (frutas, vegetais e folhosos).
Algumas limitações devem ser consideradas na interpretação dos resultados do presente estudo. A utilização de manuscritos baseados em grupos focais realizados em períodos distintos (2006 e 2008) pode ter influenciado as diferenças observadas entre as respostas das crianças. Uma limitação inerente ao método é o viés da desejabilidade social, que leva alguns indivíduos a darem respostas com a intenção de criar uma imagem específica positiva e supostamente valorizada no seu meio social. Em relação às compras realizadas, as crianças de escola pública relataram que comumente faziam compras sozinhas em lugares próximos de casa, como vendinhas ou mercados. Os itens mais relatados como adquiridos para consumo próprio eram guloseimas.
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